O mercado imobiliário em notícias, com uma leitura de quem vive o mercado
Uma seleção das notícias mais relevantes do setor, resumidas de forma clara e acompanhadas da minha análise sobre o que cada uma significa para quem compra, vende, aluga ou investe.
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Fim da escala 6x1: portaria 24h vira o maior desafio dos condomínios Ler notícia e análise →
O que muda
A emenda constitucional que acaba com a escala 6x1 foi promulgada pelo Congresso em 16 de outubro. Na primeira etapa, que começa 60 dias depois, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas remuneradas por semana e sem redução de salário. Doze meses depois, o limite passa a ser de 40 horas. Segundo o Dieese, cerca de 26,8 milhões de trabalhadores serão beneficiados.
Calendário da nova jornada
Emenda constitucional do fim da escala 6x1Por que a portaria é o ponto mais sensível
Limpeza, manutenção e zeladoria também terão de se adaptar, mas a portaria 24 horas é o posto mais pressionado, porque não para em nenhum dia da semana. Pelas primeiras simulações do Grupo Lello, que administra 4.200 condomínios, a folha de pagamento pode subir cerca de 20% se o prédio apenas trocar a escala para cumprir a lei e mantiver todo o resto igual.
O mesmo estudo, porém, mostrou que há espaço para o efeito contrário. Ao redistribuir horários, cortar horas extras e adotar escalas como a 12x36, alguns condomínios chegaram a reduzir a folha. A administradora desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial para montar esses cenários prédio a prédio, e a decisão final fica com síndicos e conselhos.
O reflexo no preço dos imóveis novos
O impacto começa antes de o prédio ficar pronto. A Abrainc estima que a nova jornada pode elevar em 5,5% o preço dos imóveis, já que a construção civil depende de equipes presenciais no canteiro e enfrenta falta de mão de obra qualificada. Segundo a entidade, o repasse pode tirar até 2,5 milhões de famílias do acesso ao financiamento habitacional.
Minha leitura
Condomínio bem administrado passa a valer ainda mais. A mudança vai separar os prédios que se planejam dos que apenas reagem. Quem reorganizar as escalas com antecedência pode atravessar a transição sem reajuste relevante na taxa; quem deixar para a última hora tende a sentir o aumento direto no boleto.
Para quem compra, a análise do condomínio entra na conta. Antes de fechar negócio, vale olhar o modelo de portaria, se a equipe é própria ou terceirizada, a previsão orçamentária e o histórico de reajustes. A taxa condominial faz parte do custo de morar e pesa na decisão tanto quanto o preço do imóvel.
Para quem vende, uma gestão eficiente é argumento de venda. Condomínio com contas organizadas, escala já adequada e taxa estável transmite segurança ao comprador e valoriza o imóvel na negociação.
No mercado de imóveis novos, o momento conta. Se a estimativa da Abrainc se confirmar, os próximos lançamentos podem chegar com preços mais altos. Para quem já está decidido, imóveis prontos e lançamentos com tabela atual tendem a ser uma escolha mais vantajosa do que esperar.
Vivian Dias | Consultoria Imobiliária · CRECI 70.506-F
Dados: Grupo Lello, Dieese e Abrainc/Ecconit, conforme reportagem. Matéria original: Exame, por Letícia Furlan, 22/10/2026. O texto acima é um resumo com comentário próprio.
Aluguel comercial sobe 11,18% em 12 meses, quase cinco vezes mais que o preço de venda Ler notícia e análise →
O que diz o levantamento
Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, o valor pedido nos anúncios de locação de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² subiu 11,18%, enquanto os preços de venda avançaram 2,29%. A alta da locação ficou muito acima da inflação do período: 4,58% pelo IPCA e 3,34% pelo IGP-M.
Em setembro, o aluguel subiu 0,75% e a venda, 0,19%. No acumulado de 2026, a locação comercial soma 9,31% e a venda, 2,06%, contra 3,95% do IPCA no mesmo período.
Alta do aluguel comercial em 12 meses, por cidade
Índice FipeZAP Comercial, setembro/2026São Paulo: o metro quadrado comercial mais valorizado do país
A capital paulista registrou alta de 7,95% no aluguel comercial e mantém os valores mais altos do levantamento: R$ 10.662/m² na venda e R$ 62,87/m² mensais na locação, contra médias de R$ 8.846/m² e R$ 54,64/m² nas dez cidades pesquisadas.
Com o aluguel subindo mais rápido que o preço de venda, a rentabilidade estimada do imóvel comercial chegou a 7,66% ao ano, acima dos 6,13% registrados pelo imóvel residencial.
Minha leitura
A locação comercial vive um ciclo forte. Alta em todas as dez cidades monitoradas, e em ritmo mais de duas vezes superior à inflação. É um sinal consistente de demanda por espaços corporativos.
O preço de venda ainda não acompanhou, e isso abre uma janela de compra. Enquanto o aluguel subiu 11,18%, a venda avançou 2,29%. Quem compra agora paga um valor que ainda não incorporou a valorização da locação, e é exatamente por isso que a rentabilidade do comercial já supera a do residencial.
Em São Paulo, endereço faz toda a diferença. A cidade tem o metro quadrado e o aluguel mais altos do país, com um mercado maduro e de demanda constante. Nesse cenário, localização, padrão do edifício e perfil de inquilino são o que separam um bom ativo de um ativo comum.
O índice mostra a direção do mercado com base em valores de anúncio. Nas salas que apresento, faço a conta do imóvel específico: aluguel praticado na região, condomínio, IPTU e potencial de locação. É com esses números que o investidor decide com segurança.
Vivian Dias | Consultoria Imobiliária · CRECI 70.506-F
Dados: Índice FipeZAP Comercial (Fipe e Grupo OLX), setembro/2026, anúncios de salas e conjuntos comerciais de até 200 m². Matéria original: Exame, por Ana Luiza Serrão. O texto acima é um resumo com comentário próprio.
Fim da escala 6x1 pode encarecer imóveis em 5,5%, estima Abrainc Ler notícia e análise →
O que diz o estudo
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em estudo feito com a consultoria Ecconit, estima que a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, pode elevar em 5,5% o preço dos imóveis. Se esse aumento for repassado, até 2,5 milhões de famílias podem deixar de se enquadrar no financiamento habitacional.
A explicação está no canteiro de obras. A construção civil depende de equipes presenciais e já enfrenta falta de mão de obra qualificada. Com menos horas trabalhadas por pessoa, as incorporadoras podem precisar de mais trabalhadores para manter o cronograma, o que pressiona o custo por unidade e os prazos de entrega.
Quanto 5,5% representa no preço de um imóvel
Simulação ilustrativa com base na estimativa da AbraincA indústria já busca produzir com menos gente
Algumas incorporadoras vêm reduzindo a dependência de mão de obra há anos. A Tenda adota desde 2011 um modelo inspirado na indústria automotiva, com etapas padronizadas, equipes especializadas e kits elétricos e hidráulicos que chegam prontos à obra. Segundo a empresa, isso faz a mão de obra pesar de 5 a 10 pontos percentuais a menos no custo de construção do que a média do setor. Esse tipo de solução, porém, protege apenas parte do mercado.
Como fica o calendário
A emenda que acaba com a escala 6x1 já foi promulgada pelo Congresso. Sessenta dias depois, a jornada máxima cai para 42 horas semanais, com duas folgas remuneradas. O limite de 40 horas chega 12 meses após essa primeira etapa, completando a transição em 14 meses. A Abrainc defende regras de transição que considerem os ciclos longos da incorporação, incluindo obras já vendidas ou em andamento.
Minha leitura
O preço de hoje tende a ser o melhor preço dos próximos meses. As tabelas atuais dos lançamentos ainda não refletem o novo custo da mão de obra. À medida que as incorporadoras recalcularem seus projetos, os próximos lançamentos devem chegar com valores mais altos. Para quem já está decidido, adiar a compra pode significar pagar mais pelo mesmo imóvel.
Imóveis prontos ganham ainda mais atratividade. Um apartamento já construído não carrega o risco de aumento de custo de obra nem de atraso na entrega. Em um cenário de pressão sobre canteiros, isso pesa a favor de quem compra pronto e de quem vende um imóvel bem conservado.
Na compra na planta, planejamento é essencial. As parcelas durante a obra costumam ser corrigidas pelo INCC, índice que acompanha o custo da construção. Vale considerar esse efeito no planejamento financeiro e escolher incorporadoras com solidez e histórico de entrega no prazo.
No médio e alto padrão, o comprador tem mais margem, mas a conta também cresce. A exclusão do financiamento afeta principalmente quem está no limite da renda, mas, em valores absolutos, 5,5% sobre um imóvel de alto padrão é uma diferença significativa. Antecipar a decisão é uma forma de se proteger dela.
Vivian Dias | Consultoria Imobiliária · CRECI 70.506-F
Dados: estudo Abrainc/Ecconit e Tenda, conforme reportagem. Matéria original: Exame, por Letícia Furlan, 16/10/2026. O texto acima é um resumo com comentário próprio.
